Endometriose é uma doença inflamatória crônica, dependente de hormônios, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. As lesões podem estar no peritônio, ovários, intestino, bexiga, ureteres, diafragma e, raramente, no tórax ou em cicatrizes.
✓ Não é simplesmente ‘menstruação fora do útero’. As lesões têm características biológicas próprias.
✓ A intensidade da dor nem sempre acompanha o tamanho ou a extensão das lesões.
✓ O tratamento é individualizado e pode ser clínico, cirúrgico, multidisciplinar ou combinado.
O que acontece no organismo?
As lesões de endometriose respondem ao ambiente hormonal e participam de um processo inflamatório local. Esse processo pode estimular formação de novos vasos e fibras nervosas, fibrose e aderências — faixas de tecido que unem estruturas que normalmente deveriam deslizar livremente.
A doença não se comporta da mesma maneira em todas as pacientes. Algumas apresentam pequenas lesões com dor intensa; outras têm comprometimento profundo e poucos sintomas. Por isso, não se deve definir a gravidade clínica apenas pelo tamanho da doença vista no exame.
Onde a endometriose pode aparecer?
Os locais mais frequentes são peritônio pélvico e ovários. A forma profunda pode comprometer ligamentos atrás do útero, vagina, reto e sigmoide, bexiga ou ureteres. Também existem endometriose de parede abdominal, geralmente próxima a cicatrizes cirúrgicas, e formas diafragmáticas ou torácicas.
- Endometriose superficial do peritônio
- Endometrioma ovariano
- Endometriose profunda pélvica
- Endometriose intestinal ou urinária
- Endometriose diafragmática, torácica ou de parede abdominal
É uma doença benigna?
A endometriose é classificada como benigna e não é câncer. Entretanto, pode ser infiltrativa, causar dor incapacitante, reduzir qualidade de vida, comprometer órgãos e afetar fertilidade. A transformação maligna é rara e não justifica cirurgia preventiva para todas as pacientes.
Existe cura?
Atualmente não se fala em uma cura universal garantida. Medicamentos podem controlar atividade e sintomas; cirurgia pode remover lesões visíveis e restaurar anatomia; fisioterapia e tratamento da dor atuam em componentes associados. O objetivo é controle duradouro, proteção de órgãos, preservação reprodutiva e melhora da qualidade de vida.
Perguntas frequentes
Endometriose é igual a adenomiose?
Não. Na adenomiose, tecido semelhante ao endométrio está dentro da musculatura do útero. As duas condições podem coexistir.
Endometriose sempre causa infertilidade?
Não. Muitas mulheres engravidam espontaneamente. A doença pode reduzir a fertilidade, mas o impacto varia.
Quem não menstrua pode ter sintomas?
Sim. Sintomas podem persistir após amenorreia, uso hormonal ou, menos frequentemente, após a menopausa.
Referências científicas essenciais
A seleção prioriza diretrizes, revisões sistemáticas, meta-análises e fontes institucionais. Cada tema inclui referências específicas e links para a publicação original.

Dr. Rogério Tadeu Felizi
Médico ginecologista · CRM-SP 109.778 · RQE 108856 · TEGO 0471/2006 · Mestre em Ciências da Saúde · Título SOBRACIL · Habilitação em cirurgia robótica.
Head de Ginecologia e coordenador do Centro de Endometriose e Patologias Uterinas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Conhecer o currículo e a trajetória →Transparência editorial
Metodologia: pergunta clínica definida, busca de diretrizes e literatura indexada, redação acessível e revisão médica antes da publicação. Leia a política editorial completa.
Conflitos de interesse: não declarados para este conteúdo. Eventuais relações relevantes serão informadas na própria página.
Aviso: conteúdo educativo; não substitui consulta, exame, diagnóstico ou prescrição individual.
